O que o cooperativismo tem a ver com a sustentabilidade?

O que o cooperativismo tem a ver com a sustentabilidade?

Da teoria à prática, confira as relações entre sustentabilidade e cooperativismo.

Vantagens da Cooperação - 20 out, 2017

O termo “sustentável” deriva do latim sustentare (sustentar, defender, apoiar, conservar, cuidar). Assim, de acordo com a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento no Relatório Nosso Futuro Comum, o desenvolvimento sustentável é aquele que “satisfaz as necessidade presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

É notável, portanto, que a sustentabilidade requer uma consciência mais humana. Para ser sustentável, é preciso, antes, reconhecer que não estamos sozinhos no mundo e que outras gerações dependerão dos mesmos recursos naturais que nós. Em outras palavras, é preciso pensar que as necessidades do próximo precisam ser satisfeitas tanto quanto as nossas.

É exatamente nesse ponto que a ideia de sustentabilidade aproxima-se do conceito de cooperativismo. Afinal, o cooperativismo é um modelo socioeconômico que parte, como o próprio nome diz, da cooperação entre pessoas com objetivos comuns para alcançar mais benefícios para todos. E a prática da cooperação ao invés da competitividade, já demonstra essa visão mais humana do cooperativismo.

Mas não é só na teoria que cooperativismo e sustentabilidade estão interligados. Veja só:

– Princípios e diretrizes de ação
Quando se fala em sustentabilidade, muita gente pensa apenas na preservação do meio ambiente. Porém, a sustentabilidade inclui outras dimensões além da ambiental. Assim, para que algo seja considerado sustentável, não basta que seja ecologicamente correto, é preciso também que seja economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso.

Ao analisarmos os princípios que regem o cooperativismo, percebemos que eles vão ao encontro da atuação sustentável:

  • Quando, por exemplo, as instituições cooperativas colocam em prática o princípio da Adesão livre e voluntária, da Autonomia e independência ou mesmo da Intercooperação, estão sendo socialmente justas.
  • O fato da adesão livre e voluntária ocorrer sem nenhuma discriminação também comprova que as cooperativas são culturalmente diversas – o que ainda é confirmado pelo princípios de Educação, formação e informação e de Interesse pela comunidade.
  • O Interesse pela comunidade tem também um viés ambiental, orientando as cooperativas a terem uma postura ecologicamente correta, tendo em vista que o meio ambiente é fator determinante do bem-estar da comunidade.
  • Com Participação econômica e Gestão democrática, as cooperativas ainda demostram que são economicamente viáveis.

Leia também:
Os princípios do cooperativismo e os valores humanos.

– Sustentabilidade na prática cooperativa
As instituições cooperativas não têm um pequeno grupo de donos ou acionistas. Em vez disso, todos os cooperados são associados da instituição, podendo votar e receber sobras proporcionais ao seu trabalho ou participação na cooperativa.

Portanto, as cooperativas não concentram capital. Elas distribuem suas sobras aos cooperados e ajudam a movimentar a economia local, além de colaborar para uma melhor distribuição de renda e para a atração de investimentos em saúde, educação, transporte, moradia, etc.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) comprovou, inclusive, que os municípios que contam com a atuação de instituições cooperativas têm melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Ou seja, é perceptível que as cooperativas aplicam a sustentabilidade na prática, atuando em favor do desenvolvimento sustentável das comunidades em que estão instaladas. Veja outros exemplos disso:

– Sustentabilidade socioambiental nas cooperativas
De acordo com o princípio de Interesse pela Comunidade, as cooperativas têm um compromisso com o desenvolvimento de sua região; devem respeitar as peculiaridades sociais e a vocação econômica do local, desenvolvendo soluções de negócios e apoiando ações humanitárias e sociambientalmente sustentáveis, voltadas ao desenvolvimento das comunidades onde estão instaladas.

Na prática, de acordo com legislação específica do cooperativismo, as instituições cooperativas destinam, anualmente, certa parte de suas sobras líquidas a fundos sociais como o Fates – Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social.

Além disso, muitas cooperativas mantêm fundações socioeducacionais e culturais, bem como programas humanitários e ambientais. Um bom exemplo disso é o Instituto Sicoob, que oferece programas e projetos voltados à Educação Cooperativista, Educação Financeira, Educação Empreendedora e Educação Ambiental, além de práticas de voluntariado, ações de Interesse pela Comunidade (de saúde e de cultura, por exemplo) e das atividades do Expresso Instituto Sicoob (unidade móvel de educação a distância).

Já conhece o Sicoob?

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